X Circuito de Vila do Conde
28 e 29 de Agosto


Esta foi a oitava prova do Campeonato Nacional de Velocidade de 1965, que era composto por competições de vários géneros, como ralis, provas de rampa, circuitos. Esta décima edição do Circuito vilacondense foi composta por duas corridas de automóveis, das categorias de Turismo e Grande Turismo, para além de outra dedicada às motos.


Nesta sequência de fotos, gentilmente cedidas por Rui Sanhudo, pode ver-se o Ferrari 275 GTB #07271GT pilotado por Achiles de Brito na Curva do Castelo a caminho da vitória na prova de Grande Turismo e Sport.

Nos treinos, Achiles de Brito conseguiu fazer a pole position, com o tempo de 1.18,98, batendo Carlos Gaspar e Francisco Santos, os dois ao volante dos Lotus Elan. Achlles de Brito conseguiu bater o anterior recorde da pista de Vila do Conde.

A corrida destinada aos automóveis de Grande Turismo foi a última disputada nesta jornada, e reuniu catorze automóveis. Logo no início, Achilles de Brito e Carlos Gaspar tomam a dianteira, lutando entre si pela liderança da corrida. Volta após volta bateram o tempo da volta mais rápida. Carlos Gaspar mostrou todo o seu virtuosismo ao volante do pequeno automóvel inglês, no entanto foi traído pela mecânica do Lotus, abandonando a corrida à 18ª volta.  Achilles de Brito levou o Ferrari na frente até ao final da corrida, cumprindo um total de 35 voltas, logrando também a volta mais rápida com 1.21,00.



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VIII Grande Prémio de Angola
27 e 28 de Novembro

(Foto: Arquivo Ângelo Pinto da Fonseca)

A oitava edição do Grande Prémio de Angola, foi disputado uma vez mais no Circuito da Fortaleza, e contou com a presença de sete automóveis Ferrari.

Nº1: Álvaro Lopes / Ferrari 250 LM #5843
Nº3: Herbert Muller / Ferrari 250 LM #6119
Nº5: Gerhard Langlois van Ophem / Ferrari 250 LM #6313
Nº6: Achilles de Brito / Ferrari 275 GTB #7271GT
Nº8: Pierre Dumay / Ferrari 250 LM #6023
Nº9: David Piper / Ferrari 365 P2 #0836
Nº10: Vic Wilson / Ferrari 250 LM #5907


Com o nº3, Herbert Muller consegui o terceiro tempo mais rápido nos treinos. Escondido do lado direito do enquadramento, está o autor do tempo mais rápido, o 365 P2 de David Piper. Herbert Muller pilotou o único 250 LM que pertencia nessa altura à Scuderia Filipinetti, o #6119 (O #5899, foi vendido em Março de 1965 a Werner Biedermann ). O AC Cobra 427 (#CSX 3013) pilotado por Jo Schlesser (1º lugar na grelha de partida) foi também inscrito pela equipa Filipinetti.


Resultados dos treinos de qualificação para a grelha de partida:

1º: David Piper / Ferrari 365 P2 #0836
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3º: Herbert Muller / Ferrari 250 LM #6119
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5º: Vic Wilson / Ferrari 250 LM #5907
6º: Álvaro Lopes / Ferrari 250 LM #5843
7º: Pierre Dumay / Ferrari 250 LM #6023
8º: Gerhard Langlois van Ophem / Ferrari 250 LM #6313
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13º: Achilles de Brito / Ferrari 275 GTB #7271GT


Neste instantâneo pode ver-se o 250 LM #6023 de Pierre Dumay na tradicional cor amarela da Écurie Francorchamps, que conseguiu o sétimo tempo dos treinos. Ao seu lado direito (esquerdo na foto), o 250 LM #5907 de Vic Wilson, com o quinto tempo. À frente deste, pode ainda descortinar-se o autor da Pole Position, David Piper e o 365P2 #0836 de cor verde. (Foto: digitalizada de um postal da época)

Na partida, o AC Cobra 427 de Schlesser, consegue adiantar-se aos restantes automóveis. O piloto francês manteve-se na frente da corrida durante as primeiras voltas. (Foto: Revista ACP)

Schlesser no AC Cobra 427 de 7 litros seguido pelo 365P2 de Piper. "C'était une voiture très difficile à piloter, et il y avait de nombreux retours de flammes du carburateur. Elle fini par prendre feu, se transformant en une vraie fusée en flammes, et moi j'étais assis dans l'huile". Assim descrevia o AC Cobra, Pete Ettmueller, um dos pilotos da Scuderia Filipinetti, que também pilotou o carro americano.  (Foto: Arquivo António Borges Sampayo)

Schlesser, ainda no comando da corrida, Piper e Dennis Hulme (Brabham BT8-Climax da equipa de Sid Taylor) na travagem de aproximação aos "S" do Hotel Continental. Estes três pilotos mantiveram um emotivo duelo. À 34ª volta, o AC Cobra partiu a suspensão traseira, sendo obrigado a retirar-se da corrida. Pouco tempo depois, foi a vez de Dennis Hulme ir à box com problemas de travões, voltou à corrida na quinta posição. Nessa altura, ficaram cinco Ferrari nas cinco primeiras posições: Piper, Muller, Dumay e Wilson. Um a um, a restante concorrência foi ficando pelo caminho: Hulme, à 70ª volta, com um triângulo da suspensão traseira partido, Stommelen com problemas no motor do Porsche 904 GTS. (Foto: Arquivo António Borges Sampayo)

Paragem do 365P2 de Piper para reabastecimento. "Decidimos usar um tripé nas boxes para colocar o depósito de combustível e reabastecer o carro. Devido aos riscos sempre presentes nesta operação, Fairfax "Fax" Dun (chefe de mecânicos da equipa do piloto inglês)  disse que não queria que mais ninguém interferisse com a operação. Quando eu entrei nas boxes para reabastecer, Fax teve que afastar algumas pessoas do caminho e que atrapalhavam o processo, e fê-lo de qualquer forma, empurrando-as. A multidão que assistia à prova na bancada em frente não achou piada e começou a assobiar estridentemente e a gesticular para o Fax. Não restou outra alternativa senão afastá-lo do local por elementos da organização, para sua própria segurança, tendo-o mesmo fechado num espaço contiguo às boxes, onde permaneceu até ao final da corrida. Quando terminei a prova, entrei nas boxes para o ir buscar e acompanhar na volta de agradecimento. Fax estava nessa altura já "libertado", mas ficou muito zangado comigo por não o ter feito mais cedo... Certo é que na viagem de volta a Inglaterra não falou o caminho todo comigo..." (Mills, G., Reed, A., Young, R., 1999, "Pipes!", 2007, Ecurie Zoo) (Foto: Arquivo António Borges Sampayo)

David Piper tinha no Ferrari 365P2 um forte aliado e um automóvel que dificilmente seria batido pelos adversários: "Quando vencemos a corrida em Angola no ano de 1965, chegamos alguns dias antes das restantes equipas europeias. Cedo ficou claro que tínhamos grandes chances de ganhar assim que víamos os restantes automóveis participantes a serem desembarcados, a Ecurie Francorchamps a Ecurie Filipinetti, Schlesser e o seu Cobra de 7 litros e Denny Hulme no Brabham"(Mills, G., Reed, A., Young, R., 1999, "Pipes!", 2007, Ecurie Zoo) (Foto: Arquivo António Borges Sampayo)

Herbert Muller pilotou o 250 LM #6119 da Scuderia Filipinetti. Foi adquirido pela equipa suíça, em inícios de Setembro de 1964, e teve a estreia em competições nos 1000 Km de Paris em Monthlery, a 11 de Outubro do mesmo ano, onde Muller fez equipa com Andre Boller. Em 1965, e após as participações nas 24 Horas de Le Mans (Dieter Spoerry / Armand Boller), nos 1000 Km de Nurburgring (Herbert Muller / Peter Harper) e numa corrida em Monza (13 de Outubro) a contar para o Campeonato Suíço (Charly Muller), o #6119 disputou aquela que foi a sua última corrida ao serviço da equipa suíça.
Em Dezembro de 1965, António Peixinho e Pierre de Siebenthal, adquiriram este Ferrari, tendo o piloto português participado e vencido algumas competições em solo nacional. 
(Foto: Arquivo Ângelo Pinto da Fonseca)

Um dos heróis da edição desse ano das 24 Horas de Le Mans, Pierre Dumay (que terminou essa corrida em 2º lugar, em equipa com Gosselin, com o 250LM #6313) conseguiu terminar este Grande Prémio de Angola  na terceira posição. Utilizou aqui o 250 LM #6023, que foi o segundo destes modelos adquirido pela E.F., e que foi recebido nas vésperas dos 1000 Km de Montlhéry de 1964 (11 de Outubro). 
(Foto: Arquivo Ângelo Pinto da Fonseca)

O piloto angolano Álvaro Lopes correu com o 250 LM #5843 da Écurie Francorchamps. Este foi o primeiro destes modelos a ser adquirido pela equipa belga, tendo sido recebido a tempo da participação nos 1000 Km de Nurburgring de 1964, a 31 de Maio. (Dumay e Beurlys, Ab.) Este 250 LM foi alugado pelo ATCA para ser utilizado neste Grande Prémio por Álvaro Lopes.
Conseguiu o sétimo lugar na corrida, ao volante do 250 LM de cor vermelha, e que ficou para a história como o primeiro Ferrari pilotado por Jacky Ickx, quando, em equipa com Léon Dernier (Beurlys), o utilizou nas 24 Horas de Daytona de 1966 (4/5 de Fevereiro), curiosamente a corrida seguinte a esta em Angola. 
(Foto: Arquivo Ângelo Pinto da Fonseca)

O piloto inglês, nascido em Drypool, Victor "Vic" Wilson, alinhou com o 250 LM #5907, que tinha sido propriedade de David Piper, e com a qual o este piloto alinhou no Grande Prémio de Angola de 1964, onde sofreu um despiste depois de ver um pneu soltar-se durante a corrida. Foi inscrito nesta edição de 1965 pela Team Chamaco Collect de Bernard White. Na sua carreira, Vic Wilson, chegou a efectuar um Grande Prémio de Fórmula 1, o de Itália em 1960, onde percorreu 23 voltas na corrida ao volante de um Cooper-Climax, antes de abandonar. No Grande Prémio de Angola de 1965, conseguiu o quinto tempo dos treinos e o quarto lugar na corrida.
 (Foto: Arquivo Ângelo Pinto da Fonseca)

Gerhard Langlois van Ophem utilizou o 250 LM #6313, aquele que foi o terceiro e último destes modelos adquirido pela Écurie Francorchamps, em Abril de 1965. Estava equipado com um motor mais evoluído, do tipo 211 (com cerca de mais dez cavalos de potência que os do Tipo 210 que equipavam os #5843 e #6023, e nas corridas disputadas na Bélgica era inscrito pela equipa "Team Georges Marquis", que patrocinava os 250 LM amarelos. Este 250 LM foi um dos heróis das 24 Horas de Le Mans de 1965, onde após uma grande luta com o modelo idêntico da NART (#5893), terminou a maratona francesa na segunda posição, pilotado, como já referimos acima, pela equipa constituída por Dumay e Gosselin. Van Ophem era filho de Henri Langlois Van Ophem que era presidente da Comissão Desportiva do Real Automóvel Clube da Bélgica, e que foi um dos fundadores nos anos vinte, juntamente com Jules Thier, do Circuito de Spa-Francorchamps. Van Ophem tinha já participado no Grande Prémio de Angola de 1964, onde pilotou o 250 GTO #4153 da Écurie Francorchamps, tendo conseguido o 8º lugar na corrida.
No Grande Prémio de Angola, van Ophem, terminou a corrida no 11º lugar.
 (Foto: Arquivo Ângelo Pinto da Fonseca)

Achiles de Brito alinhou no seu 275 GTB #07271GT. Em 1965, o piloto português iniciou a utilização em competição deste Ferrari, tendo ganho, nesse mesmo ano, o X Circuito de Vila do Conde. Em Angola, o piloto inscreveu-se quer na Taça Cidade de Luanda, disputada a 27 de Novembro, onde fez a volta mais rápida nos treinos, e terminou a corrida no 2º lugar, e no Grande Prémio, onde participou inscrito na categoria de GT.
Durante toda a corrida teve um duelo com o Cobra 289 de Keith Schellenberg, que levou de vencido, terminando a corrida no 9º lugar da geral e 1º da categoria GT.
 (Foto: Arquivo Ângelo Pinto da Fonseca)


Depois de trezentos quilómetros efectuados, David Piper vence pela primeira vez em Angola. O seu melhor resultado anterior tinha sido em 1962, onde terminou em terceiro lugar ao volante do Ferrari 250 GTO #3767GT.
 (Foto: Arquivo António Borges Sampayo)


A volta de honra para os três primeiros classificados na corrida. Ao meio, David Piper, do lado esquerdo, Herbert Muller e do lado direito Pierre Dumay.
(Foto: Arquivo ACP)

No final da corrida, Fairfax "Fax" Dunn atira o piloto inglês para um banho forçado.
(Foto: Col. Manuel Taboada)



Classificação final:


1º: David Piper / Ferrari 365 P2 #0836 - 100 Voltas / 301,200 Km / 122,421 Km/h
v.m.r: 1'21'',58

2º: Herbert Muller / Ferrari 250 LM #6119, a 1 volta
3º: Pierre Dumay / Ferrari 250 LM #6023, a 4 voltas
4º: Vic Wilson / Ferrari 250 LM #5907, a 5 voltas
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7º: Álvaro Lopes / Ferrari 250 LM #5843
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9º: Achilles de Brito / Ferrari 275 GTB #7271GT - 1º da categoria GT
10º: Gerhard Langlois van Ophem / Ferrari 250 LM #6313



Taça Cidade de Luanda
27 de Novembro


Altura em que Achiles de Brito no Ferrari 275 GTB parte da pole position para a corrida da Taça Cidade de Luanda, disputada no dia anterior ao do Grande Prémio. Terminou a corrida no segundo lugar da geral.
(Foto digitalizada de um postal da época)

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Mais detalhes sobre os Ferrari participantes nesta corrida nas ligações abaixo: